Para mais um pensamento confuso…típico Sara ;)
“Não fazemos uma foto apenas com uma câmara; ao acto de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos.” - Ansel Adams
Falar bonito sobre a arte de fotografar é o que todos queremos… falar bonito sobre a arte é o que todos achamos que podemos fazer! Basta sabermos que ela transmite exactamente a pessoa que fomos, a pessoa que somos, e a pessoa que seremos, mas muitas das vezes retracta a pessoa que gostaríamos de ser e nunca termos a coragem para isso! (Ou porque é que muitas das vezes vamos a um concerto rock e aproveitamos para vestir o que não faz parte de nós, ou se formos ver uma opera a etiqueta diz que temos de ir glamorosos?) Porque temos de nos render a esses estereótipos, como tantas vezes acontece na arte! Porque é que tantas vezes temos dificuldade em mantermo-nos apenas por aquilo que somos? E porque é que uma certa obra de arte terá ser considerada cliché «se é para ali que olho e acho lindo» e é tudo aquilo que me inspira! Porque me hei-de render-me às novas tendências para ser considerada por outros uma artista com «A» maiúsculo?! Afinal a arte não é aquilo que nós sentimos? Não será então aquilo que cada um de nós quer fazer?! Porque é que há-de ser menos arte só porque milhares de pessoas já o fizeram antes? Porque é que o que eu ou tu, ao criarmos obras idênticas haveremos de pensar exactamente a mesma coisa?!… o sentimento que cria essa vontade de o fazer talvez sejam idêntico, talvez não, não sei… Mas não é de estranhar, já que somos todos feitos da mesma matéria!… porque no fundo o que nos define é a nossa personalidade que é moldada ao longo dos anos pela nossa família e sociedade que nos rodeia, e se esta nos ensina o que é o belo durante tantos anos, porque é que alguém tem de o direito de te dizer que o teu conceito de belo é banal?! Porque é que um estilo clássico há-de ser pior do que um moderno?! Ou vice-versa!
O importante é fazermos o que nos dá mais prazer, independentemente da expressão de arte escolhida por cada um de nós!
Durante anos assumi sem vergonha que era artista porque era o que sentia, mais do que pelo jeito que tinha para a criação! Entretanto descobri que isso era uma grande mentira! E tudo isso porque tive pessoas que “avaliaram” a minha arte, em menos bom ou muito bom… e para que? Se metade dessas pessoas nem se quer queriam saber o que sentia ao fazer aquelas obras… o conceito contemporâneo era o que mais importava. Algumas poderiam tê-lo, mas outas não! O que torna as coisas mais difíceis para mim, já que me considero mais conservadora na arte do que na vida diária! Talvez seja mesmo por causa disso… talvez o que acontece com os outros seja o oposto, talvez sejam conservadoras apesar de não o verem, se rendam a tendências e que sintam, inconscientemente, a necessidade de um conceito mais contemporâneo! Como é que é possível falar assim de conceitos?! Não percebo porque nos era exigido que fossemos diferentes, mas o facto de eu ser diferente tantas vezes foi o que me prejudicou?! Porque é que acham que se sendo mais conservador não se pode criar algo novo?! Ou porque não uma mistura dos dois?! A arte tem destas coisas… desperta todo o tipo de sentimentos… desde a arrogância, ao desprezo e à inveja…mas também a admiração, a vontade de crescer e aprender e a generosidade! E isto, para mim é o que mais de contemporâneo tem a arte!
Porque é que não param para pensar que é mesmo de tudo isto que precisamos?!! Falar “feio da arte”!! E nos rendermos à verdade e pararmos de tentar ser algo que não somos… e acreditem que aqui não falo de ambição, nem pensar!
O mundo precisa de todo o tipo de pessoas… dos sonhadores e dos «terra a terra»! Dos clássicos e dos modernos ou mais do que modernos! Ihih É exactamente desta força toda unida que a nossa cultura artística precisa para sobreviver… precisamos de ser uma unidade! O que seria dos artistas sem toda esta diversidade? E porque definir uns em melhores e outros em piores?!!! Sempre me disseram que tinha uma grande veia artística e que a minha maior valia era o facto de ser versátil Mas a verdade é que nestes 3anos não me serviu de nada a não ser gerar ainda mais conflitos na minha mente!
Acredito que, para que todos possamos crescer em harmonia, o melhor mesmo é todos começarem desta maneira… aceitar de vez quem somos e quem queremos ser… definir a nossa dose de paciência e persistência e não desistir da luta! E aceitarmos o vizinho do lado como um artista como tu ou eu…porque o mundo é feito de artistas… como o fotógrafo, ou o canalizador… o pintor ou electricista… o escultor ou cozinheiro… todos somos artistas, licenciados ou não, de pincel ou martelo na mão… o que importa é respeitar a arte e os artistas por de trás dos “macacões”! E em termos práticos posso-vos dar um exemplo: o meu namorado é canteiro, (mas não usa macacão! ihih)… e posso afirmar que é um dos melhores artistas a esculpir pedra que conheço, melhor do que muitos licenciados das artes ou entendidos da matéria. Ele apenas gosta do que faz, e fá-lo muito bem e não sente necessidade de o provar a ninguém, o que faz dele um dos melhores artistas, e pessoa, que eu conheço!
E a inveja assim se desfaz e se transforma em admiração…
Abram as vossas mentes… como todos gostam de dizer… a arte está em todo o lado!!!
E assim vos deixo com um dos meus clichés preferidos! Cheirinho a Lisboa…

As saudades batem à porta a qualquer hora...
Kind Regards, Sara
“Não fazemos uma foto apenas com uma câmara; ao acto de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos.” - Ansel Adams


